MÉTODOS E TÉCNICAS DA HISTÓRIA

  1. MÉTODOS E TÉCNICAS DA HISTÓRIA

A História como ciência compreende dois métodos principais: O método crítico ou crítica histórica e a interdisciplinaridade.

 1.1. Método crítico ou crítica histórica
O método crítico compreende a análise e a síntese histórica. A análise compreende, por sua vez quatro operações distintas: a heurística, a crítica externa, a crítica interna e a hermenêutica.

2. Análise
2.1. Heurística
Como qualquer área de conhecimento a análise histórica pressupõe um sujeito e um objecto na escolha do objecto da sua análise. O sujeito deve ter acerca do mesmo um conhecimento do nível correspondente ou por outra, o investigador deve partir daquilo que já é sabido para aquilo que desconhece sob pena de descobrir coisas já descobertas. A partir do século XVII com o triunfo da dúvida metódica assiste-se o nascimento da crítica histórica. Desde ai, como afirma Gomes (1988:344), as fontes
interna com o objectivo de averiguar a autenticidade e a credibilidade do documento.

Porém, antes da crítica recomenda-se a recolha das fontes que se designa de Heurística.  

2.2. A Crítica Externa ou de Autenticidade
É a operação que examina a proveniência do documento (verdadeiro ou falso, original ou copia), com o objectivo de determinar se o próprio historiador se encontra perante um testemunho directo ou indirecto e assim contribuir para eliminar eventuais contradições.
Por sua vez a critica externa compreende a de proveniência e de restituição


2.2.1.Crítica de Proveniência
Responde a questão Como, quem redigiu o documento, quando e como  foi ele redigido e, finalmente que vias percorreu ate chegar as nossas mãos.

Nem é sempre possível apurar a autoria ou o trajecto percorrido porém, a duas questões dificilmente respondera se for falso.

Para responder ao quando não basta com efeito uma data é preciso que o material ( papiro pergaminho papel tinta, etc.) e caligrafia corresponda a esta data.

Para responder ao como é preciso que o documento responda ao formulário próprio da natureza do documento e da respectiva época. 

2.2.2.   Crítica de Restituição
Consiste na restituição do documento a sua forma original depois de eliminadas as irregularidade.

2.3. Crítica Interna ou de Credibilidade
É a operação que avalia o grau de confiança que apresenta os documentos. A sua materialização é possível através de critica de interpretação literária do texto, critica de competência, critica de veracidade ou exactidão e crítica de intencionalidade ou de sinceridade.

2.3.1.   Crítica de Interpretação Literária
Investiga o exacto sentido do pensamento do autor, ou aquilo que pretendia dizer. Isto impõe que o historiador conheça a língua como também a linguagem falada pelo autor.




2.3.2.   Crítica da Competência
Averigua o grau de conhecimento que o autor tem do conhecimento relatado isto é, se, se  trata de um testemunho directo que viveu directamente o acontecimento ou compilador que construiu sua versão do conhecimento através de outros testemunhos.

2.3.2.1.       Crítica da Intencionalidade ou Sinceridade
Em que se averigua o grau de insenção do autor ou, até que medida ele se teria deixado influenciar pelo interesse próprio, de outrem ou pela simpatia ou antipatia.

2.3.2.2.       Crítica de Exactidão
Averigua o grau de exactidão ou rigor do testemunho, isto é, ate que medida é que o relato corresponde ao que se passou.

2.3.2.3.       Crítica Comparativa
Averigua o grau de credibilidade de um testemunho mediante a comparação da informação por ele fornecida com as informações fornecidas por outros testemunhos.

2.4. Hermenêutica ou Exegese
É a operação que procede a interpretação de documentos em termos de saber-se em que medida é que a informação transmitida por estes respondem as questões inicialmente postas, isto é, o historiador interpreta e responde as preocupações colocadas e depois vai a síntese

2.4.1. Síntese Histórica
É a fase de explicação e esclarecimento de determinadas problemática em que o historiador de acordo com a sua conspecção e hipóteses formuladas classifica, agrupa e explica os factos.

Nesta fase o sujeito retém apenas os factos que importa a sua investigação agrupando em conjuntos de factos por se tratados de acordo com determinados raciocínios constituitivos  entre os quais estabelece laços de consolidação e de consequência.

2.4.2.  A Interdisciplinaridade entre as Ciências Sociais

As ciências sociais surgem por volta do século XVIII e XIX com a Revolução Industrial que deixou milhares de populares desempregadas e como fruto surge a classe burguesa que representava as massas

Karl Marx e Augusto Comte até o século XIX já haviam feito um estudo dos factos sociais tendo concluido que estas  eram um todo, mas que deviam ser analisadas sob vários pontos de vista da sua compartimentação.

Estes adiantam que , uma vez que todas as ciências sociais têm como objecto a realidade social, há que haver entre elas uma conexão ( a interdisciplinaridade).

Alguns sociólogos defendem que a questão social só devia ser da inteira responsabilidade da Sociologia. Mas Marcel Mausse e Georges Gurvitch defendem a existência de várias ciências sociais, mas que as mesmas terão que encontrar um momento de debate comum, isto é, a interdisciplinaridade entre as ciências  devido a pluridimensão da realidade social.

O verdadeiro objecto da história não são os indivíduos tomados no seu sentido da entidade que se bastem a si próprios, mas  o estudo do homem na sua relação com o meio geográfico, o meio social e com o próprio meio técnico que ele criou. Dai a necessidade de um dialogo interdisciplinar entre a história e as outras ciências que partilham o mesmo objecto de estudo - o homem.

3.        Causalidade Histórica e Física
Do papel do Homem na História, é fácil depreender a existência de uma diferença fundamental entre a causalidade histórica e a causalidade física. Os fenómenos históricos não se prestam a experiência como os fenómenos físicos: o tempo histórico é irreversível e irrepitível. As causas físicas têm carácter prospectivo, isto é, podemos dizer que fenómeno A ( por exemplo, a temperatura de 100° C) terá popr resultado o fenómeno B (por exemplo, o ferver da água). A causalidade histórica popssui apenas valor retrospectivo, quer dizer: o conjunto das circunstâncias A ( por exemplo, a opressão política e social do Antigo Regime, os ideais Iluministas do século XVIII, etc)torna-nos compreensível o aparecimento do acontecimento B (por exemplo, a revolução Francesa, que, por sua vez, é um fenómeno extremamente complexo), mas sempre devemos admitir que o fenómeno B podia ter sido bem diferente do que foi na realidade.

É fácil, portanto, varificar o quão falsos são os sistemas interpretativos da história que dela fazem pura Geometria, encadeando os acontecimentos com uma necessidade inelutável, como outros tantos teoremas que se demostram.
Que dizer então das famosas leis históricas, combatidas por uns, defendidas por outros? É inegável que sob a influência das mesmas circunstâncias, o comportamento humano adquire certa regularidade, isto é, os homens custumam frequentemente proceder de maneira semelhante.

Deste procedimento, porém, não podemos de forma alguma inferir uma certeza física que nos assegure com precisão matemática a sua repetição constante, sempre que se renovem as mesmas condições; podemos, sim, estabelecer certas leis morais que possuirõ apena um valor relativo, pois estarão, em última análise, a incalculabilidade do livre arbítrio. As chamadas leis históricas  são, no fundo, aquelas leis morais, ilustradas e confirmadas por numerosos exemplos da história. Não possuem o rigor das leis físicas, cujo funcionamento podemos repetir à vontade. A História não se repete jamais. A verdade expressa pelas leis históricas aproxima-se muito perto da sabedoria popular, contida num provérbio. Não desprezamos nem a sabedoria dos provérbios nem a da história, mas cumpre que lhe conheçamos a natureza e não a equiparemos a uma fórmula matemática ou a uma lei física.



4.         HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
De acordo com Enciclopédia Microsoft® Encarta®. © 1993-2001 no seu sentido mais amplo, história é o conjunto dos acontecimentos humanos ocorridos no passado. Historiografia é o registo escrito do que se conhece sobre as vidas e as sociedades humanas e a forma como os historiadores estudam, compilam, registam, analisam e interpretam este passado.

4.1 HISTORIOGRAFIA ANTIGA

Cosmogonias e Mitografias
Aquando do surgimento da escrita, por volta do IV milénio, evento que não se deu concomitantemente em todo tempo por toda parte, foi possível que as corporações sacerdotais procurassem registar por escrito o legado religioso que até ai tinham conservado e que a sua transmissão era oral. Esta fixação por escrito como afirma Coolingwood (1989:17) não se restringiu única e simplesmente ao legado religioso como também eram gravados os antigos heroísmos guerreiros cuja transmissão era até então encarregue aos poetas. Foi assim que puderam se redimir do esquecimento ou adulterações, algumas das mas antigas cosmogonias. Apesar do surgimento da escrita, a moralidade continuou a sua trajectória, o que é explicado pelo aparecimento de versões diversas de um mesmo tema inicial.

Designa-se por cosmogonias, as primeiras tentativas pré-científicas de explicação da origem do universo. Uma explicação em que não intervêm apenas elementos naturais, mas também sobrenaturais, daí a noção de Deus.

Na concepção dos Vedas (índia), o surgimento do universo e da vida é explicado do seguinte “ (...) Ele criou em primeiro lugar a água na qual na qual depositou um Germe. Este germe tornou-se ovo, resplandecente como ouro, radiante como uma estrela. Nele originou-se Brama, principio de toda a vida. (...)” Gomes (1988:32)

Segundo a Bíblia, o instrumento sagrado e de unidade dos Hebreus:

  1. No princípio criou Deus criou o céu e a terra
  2. A terra, porém, era vã e vazia: e as trevas cobriram a face do abismo; e o espírito de Deus era levado sobre as águas.        
  3. E disse Deus: Faça-se a luz. E foi feita a luz.
  4. E viu deus que a Luz era boa; e separou a luz das trevas.
  5. E chamou à luz dia e às trevas noite; e da tarde e da manha fez o primeiro dia.
  6. Disse Também Deus: faça-se o firmamento no meio das águas, e separarem-se umas águas das outras.
  7. E fez Deus o firmamento, e separou as águas que estavam por cima do firmamento. E assim fez.
  8. E chamou deus ao firmamento céu; e da tarde e da manha se fez o segundo dia.
  9. Disse também Deus: As águas que estão de baixo do céu, ajunte-se no mesmo lugar, e o elemento árido apareça. E assim se fez.
  10. E chamou deus ao elemento árido terra, e ao agregado das águas Mares. e viu deus que isto era bom.(...)
       26. E disse Deus: façamos o homem à nossa imagem, e semelhança; e domine sobre
 os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre a terra, e   sobre
            todo o réptil que se move sobre a terra.
      27. E criou Deus à sua imagem; a imagem de deus o criou; macho e fêmea os criou.
(“Bíblia” Génesis)

O mito é um fenômeno cultural complexo que pode ser encarado de vários pontos de vista. Em geral é uma narração que descreve e retrata em linguagem simbólica a origem dos elementos e postulados básicos de uma cultura. A narração mítica conta, por exemplo, como começou o mundo, como foram criados os seres humanos e os animais e a origem de certos costumes e formas das atividades humanas. Quase todas as culturas possuem ou possuíram mitos algum dia e viveram de acordo com eles.

Na necessidade que o homem tinha de explicar a sua origem, foi encontrando diferentes formas de explicação como já se viu com os vedas e hebreus, os egípcios tiveram explicações mitológicas cosmogónicas diferentes. Assim, para eles o surgimento mundo e o universo explica-se através do da cosmogonia e da mitografia que se seguem:

De acordo com o relato egípcio da criação, no princípio só existia o oceano. Então Rá, o Sol, surgiu de um ovo (segundo outras versões de uma flor) que apareceu sobre a superfície da água. Rá deu à luz quatro filhos, os deuses Shu e Geb e as deusas Tefnet e Nut. Shu e Tefnet deram origem à atmosfera. Eles serviram-se de Geb, que se converteu na terra, e elevaram Nut, que se converteu em céu. Rá regia todas as coisas. Geb e Nut posteriormente tiveram dois filhos, Set e Osíris, e duas filhas, Ísis e Neftis. Osíris sucedeu Rá como rei da terra ajudado por Ísis, sua esposa e irmã. Enciclopédia Microsoft® Encarta®. © 1993-2001 Microsoft Corporation. Todos os direitos reservados.

O mito que se segue explica a imortalidade da alma para os egípcios e que tem origem na ressurreição de Osiris:

no Egipto nos primeiros tempos Osiris ( deus da terra, do sol poente, responsável pela felicidade, e por isso também visto como Deus do Nilo), é assassinado por um outro Deus seu irmão Set ( Deus do vento do deserto, das trevas e do mal), e seu corpo espalhado por varias partes do país. Sua Irmã-esposa Isis (deusa da vegetação e das sementes), auxiliada pelo seu filho Horus (Deus-Falcão e do sol levante),vai conseguir, através de palavras magicas, reunir todas as partes dispersas, e Osiris revive, indo morara entre os deuses.

Esta versão de morte e de renascimento, da luta entre as trevas e a luz, da vida sucedendo a morte, é vista como se a vida tivesse de origem o rio Nilo, que gera a fertilidade do Egipto. A noção de imortalidade, para os egípcios é explicada através do Osiris.

A criação dos deuses pelos homens, foi com o fito de alimentá-los através do seu trabalho. As mitografias e cosmogonias permitem obter elementos informativos sobre a natureza e a vida das civilizações da antiguidade. O mito é sempre uma história com personagens sobrenaturais, os Deuses. Nos mitos os homens são objectos passivos da acção dos Deuses, que são responsáveis pela criação do mundo (cosmos), da natureza, pelo aparecimento dos homens e do seu destino.

Algo de sagrado os mitos contêm, o tempo. Não é possível fazer os cálculos. Ele é o principio de todas as coisas.
Os mitos diferenciam-se dos contos de fadas por referirem-se a um tempo diferente do tempo comum (Contos tradicionais). A seqüência do mito é extraordinária, desenvolvida num tempo anterior ao nascimento do mundo convencional. Como os mitos se referem a um tempo e um lugar extraordinários, bem como a deuses e processos sobrenaturais, têm sido considerados aspectos da religião. Porém, como sua natureza é integradora, o mito pode iluminar muitos aspectos da vida individual e cultural.

A história, como forma de explicação, nasce unida a filosofia. Em geral os historiadores buscam explicações para os momentos e situações que atravessam as sociedades as quais elas vivem. É o caso do Heródoto que estuda a guerra entre os gregos e os persas ( 490-479 a. C.), um grande confronto entre o oeste e o leste que marcou o século V a. C. Nessa guerra os gregos indo contra a expansão imperialista persa, asseguraram a sua independência. Tucídides, outro grande historiador grego, estrategista de Atenas que vive entre os séculos V a IV a. C., vai estudar a guerra de Peloponeso, entre Esparta e Atenas.
Políbio, grego historiador do século II a.C. (após a Grécia ter ciso conquistada por Roma), escreveu:




 (...) desde que o homem assume a atitude de historiador, tem que esquecer todas as considerações, como o amor aos amigos e ódio aos inimigos... Pois assim como os seres vivos se tornam inúteis quando privados de olhos, também a historia da qual foi retirada a verdade nada mais ‘e do que um conto sem proveito.

Políbio testemunha a ascensão de Roma ( onde esteve preso como refém durante 16 anos) procura saber como, em aproximadamente 50 anos, os romanos tornaram-se donos do mundo habitado ( na visão de então, a zona mediterrânea).  De facto a cultura Romana é em grande parte herdeira da cultura grega. Segundo Políbio, “ a Roma é a obra mas bela e útil do destino.” E que todos os homens devem a ela submeter. Assim, na concepção de Políbio, a história é mestra da vida, ela deve levar os homens a compreenderem o seu destino. Roma, centro do mundo, ao impor a sua civilização e seu destino passou a ser destino histórico mundial. Assim, a historiografia foi evoluindo ao longo do tempo e em diferentes épocas.

4.2 HISTORIOGRAFIA JUDAICA

Esta historiografia encontra-se assente na bíblia o instrumento de unidade do povo judaico.

A bíblia (Antigo Testamento) é composta por seis grandes obras nomeadamente o Génesis, Exôdo, Levítico,  Números, Deuteronómio e Josué. Deuteronómio e Levítico constituem as obras das leis e as restantes descrevem a história do povo judaico desde a origem, a passagem pelo Egipto até a instalação definitiva na Palestina. 

Compreende também um conjunto de oito obras de história livros de juizes, livros de Rute, livros de Samuel, livros de Reis, livros das crónicas, livros de Exdras, livros de Ester e livros de Jonas.

Compreende livros poéticos: salmos, lamentações, poesia erótica ( Salmo XLV) e cânticos) , poesia Didáctica ( livros de Jó proverbios e Eclisiastes).

Livros proféticos: livros de Isaias, Jeremia, Ezequel e mais.

Livros apocalípticos:  livros de Daniel e livros apócrifos: livro de Macabeus, de Judite, etc.

Pela qualidade de abordagem temática a bíblia constitui uma verdadeira literatura histórica do mesmo povo assim como dos povos do oriente com os quais os judeus mantinham contactos ( caldeus, egípcios, fenícios assírios, persas, etc.).

Até ao século XIX, por falta de fontes de informação a Biblia desempenhou um papel decisivo na transmissão de informações sobre o passado do próprio oriente antigo. E é na bíblia onde se encontra narrado a história da humanidade desde Adão e Eva, assim:
  A história do começo do mundo é narrado (...) em Génesis escrito por Moisés sob a inspiração de Deus (...) no começo da humanidade Deus criou Adão e Eva (...). É deles que descende todos os homens, viviam ambos no lugar da delícia chamado paraíso terrestre (...) foram expulsos por terem desobedecido a Deus (...) tiveram três filhos Abel, Caim, e Sete. Por inveja Caim matou o seu irmão(...) a corrupção foi tão grande que Deus se arrependeu de ter criado o género humano e resolveu destruí-lo por um diluvio universal (...). Noé homem justo foi poupado assim como toda a sua família (...) construiu uma arca na qual se refugiou (...) durante 40 dias e 40 noites. No fim de cinco meses (...) saiu da arca e ofereceu um sacrifício de gratidão ao Senhor, que lhe prometeu não mandar mas diluvio à terra e lhe deu o arco-íris como sinal de aliança. Os filhos de Noé Sem, Shame e Jafete estabeleceram-se na Mesopotâmia (...). Ensoberbecidos e esquecidos de Deus resolveram erguer uma torre tão alta que antigisse o céu. Afim de castigar tamanho orgulho o Senhor confundiu-lhes a linguagem: não puderam mas entender-se e foram obrigados a separar-se (...). Génesis cap. I

Assim, a partir do século XIX como afirma Borges ( 1993:14), com a decifração das antigas escritas egípcias e cumeiformes, a bíblia passou para o segundo plano na transmissão da história das civilizações. Isso deveu-se não só pela antiguidade da Bíblia como também pela credibilidade das novas fontes.

Dois obstáculos minavam a unidade dos Judeus, nomeadamente o nomadismo e a sujeição a influências estranhas.

Do contacto entre os judeus e mais povos surgem dois poderes, o poder espiritual e temporal caracterizados ora por alianças ora por rivalidades o pela supremacia dum sobre o outro. Os dois poderes tinham objectivos contraditórios. Enquanto os sacerdotes defendiam a conservação da identidade dos judeus zelando pela pureza da religião, a realeza defendia o alargamento do domínio territorial integrando politicamente as regiões vencidas.

Defendendo os interesses sacerdotais a Bíblia conservou um caracter exclusivista  que é a defesa de uma ortodoxia – a tradição mosaica rejeitando tudo que lhes era estranho.

Em fim, a característica fundamental da historiografia judaica é a sua incapacidade de ascender a uma concepção universalista do homem, isto é, tudo se passa para os judeus. É como se a história dos judeus fosse a história universal.

4.3 HISTORIOGRAFIA GRECO-ROMANA
4.3.1 Historiografia Grega
Na Grécia, a exemplo das sociedades do oriente antigo existiu uma concepção mítica e teocrática  da evolução da humanidade, como é o caso do mito das idades segundo o qual a humanidade tinha passado por etapas de evolução nomeadamente: idade do ouro, idade da prata, idade do bronze, idade dos Heróis e idade do ferro onde a idade do ouro tinha sido a melhor pois nela o homem não tinha tido sofrimento. Assim, não se pode falar de uma ciência histórica, associadas a estas concepções. Mas na Grécia clássica iniciou a cientificação da história. Esta inovação deveu-se ao facto de a Grécia de então, ter conseguido avançar em muitas áreas de desenvolvimento social por volta do século V a.n.e. O exemplo disso é a institucionalização da Democracia durante as reformas iniciadas por Drácon.

Portanto, Atenas, diferentemente de outras cidades da sua época, pôde conceber e aplicar princípios democráticos embora com algumas especificidade, principalmente no alcance das referidas democracias, isto é, usufruía da democracia só e só o cidadão (filho de pai e mãe gregos e do sexo masculino). Estas inovações de abertura levaram a Grécia a se destacar em vários domínios inclusive o pensamento. Daí que o pensamento grego de então revelava uma maturidade, o que se reflectia nas ciências entre elas a história.

Assim, a história nasceu na Grécia destacando-se o papel de Heródoto (484-424), considerado o pai da história. Desta forma ele ultrapassa a fronteira de uma historiografia gentílica e ecuménica. Tanto Heródoto como Tucídedes não escrevem uma história universal, mas preocupam-se em utilizar fontes fidedignas como afirma Gomes (1988: 47-48). Eles não contentavam-se com a história possível, ambicionavam uma história universal, mas encaravam dificuldades de disponibilidade de fontes fidedignas. Acredita-se porém, que, com Heródoto a história não é ciência mas ensaiam-se os primeiros passos da sua cientificação como é o caso de Tucídedes que ao escrever a história de Peloponeso recorre ao testemunho próprio por ter participado como combatente. Elogia-se o espirito crítico adoptado por Tucídedes ao criticar as fontes ( crítica das fontes através do cruzamento das informações).

Assim, conclui-se que a história feita por Heródoto e Tucídedes tem o objecto e uma metodologia definidos, pois estuda o passado e o presente dos homens, valoriza não só as fontes orais como também os testemunhos oculares através do método de observação, reflexão, análise crítica, comparação e síntese. E com uma finalidade de uma história verdadeira que defende a objectividade.

Portanto a historiografia grega caracteriza-se por ser humanista ( seu objecto de estudo é o homem) cientifica (inicia-se neste caminho) auto-reveladora ( projecção do presente no futuro, ensino do passado e do presente revelando o sentido da acção humana) e pragmática ( faz do ocorrido uma lição para o futuro).

O constrangimento da historiografia grega prende-se com a limitação espacial devido a escassez dos transportes para entrar em contactos com povos relativamente distantes e escrever a sua história.

4.3.2. Historiografia Romana
Em Roma a história é uma exaltação da cidade e do império adquirindo, pois, um caracter nacional e patriótico  apologética a sua intenção é vincadamente pragmática. Relativamente ao rigor e ao método os historiadores romanos pouco ou nada adiantam.

Dos principais historiadores romanos destacam-se:
Políbio de origem grega que chegou a Roma como prisioneiro. Ele preocupa-se não apenas com aquilo que muda mas também com aquilo que permanece, com aquilo que ciclicamente se repete. Tendo aplicado à história o modelo cíclico dos factos, isto é, a sociedade humana nasce, passa por uma juventude e uma maturidade, envelhece e morre.
Graças a sua concepção cíclica a história é concebida como conhecimento do geral, daquilo que se repete e como tal daquilo que obedece a lei e susceptível a previsão.

Tito Lívio intelectual ao serviço do imperador Augusto, empenha-se em fazer uma história nacional. Por falta de fontes fidedignas sobre Roma ele recorre a lendárias. Em termos reais ele faz uma historiografia ao serviço de fins práticos, exaltar e alimentar o espirito cívico nacional ou patriótico romano.

Tácito um dos historiadores romano mas controversos foi acusado de parcialidade quando escreveu as sobre as figuraras políticas de Tibério e Nero.

Collingood ( 1989:41) conclui que Tácito falseia os factos históricos, porque nem sempre o império romano foi marcado por pensamento vigoroso e progressivo como ele defendia.

4.4. HISTORIOGRAFIA CRISTÃ ANTIGA
O cristianismo surge no contexto da ocupação romana à Palestina. Este resultou do problema de ordem institucional endémico, isto é, do confronto entre o poder espiritual e temporal. Para superar este problema foi enviado o Messias quem tinha a missão de purificar o cristianismo.

Segundo Correia ( 1944:17), Cristo disse que não vinha para anular Moisés e os profetas nem para destruir a Lei, mas para consumá-la em perfeição. Dando um enorme passo do gentilismo ao ecumenismo cristão que derrubava todas as fronteiras desde às da raça , às da nacionalidade e às da própria condição social, diferentemente do salto grego
( helénico) e romano que eram marcadamente abertas as relações económicas e culturais.

A abertura cristã acabou pondo em risco as instituições judaicas e romanas, que defendiam as desigualdades sociais, económicas e culturais. Com este carácter de contestação de barreiras sociais entre ricos e pobres, entre senhores e escravos, entre poderosos e humildes, o cristianismo encontrou terreno mais favorável para a sua propagação no império romano, ao se identificar-se com a bandeira do antiesclavagismo substituindo a escravatura por uma rede de novos vínculos. A permissão  de casamentos clandestinos de escravos com indivíduos livres constitui um exemplo típico desde processo de uma verdadeira revolução social em Roma.

Devido ao fácil acesso das vias mediterrâneas o cristianismo rapidamente se difundiu por todo império romano

O verdadeiro cristianismo era mais temido pelos judeus do que pelos romanos, pois aqueles continuavam fechados ao exclusivismo nacionalista e racista talhado no modelo de povo eleito de Deus enquanto que o cristianismo abria-se a toda gente sem distinção de raças, de fortunas ou de sexo.

A rápida expansão crista inverteu o sentido da expansão romana, pois as mesmas vias usadas para transportar soldados romanos eram as mesmas usadas para o transporte dos evangelizadores.

As comunidades cristas dentro do império romano funcionavam como se fossem pequenos estados dentro de um estado pregando a igualdade entre os homens. Foi encetada uma acesa perseguição contra os cristãos, o que culminou com a morte de Jesus. Perseverando, os cristãos continuavam pregando o evangelho mesmo nos locais onde se encontravam refugiados. A pressão foi tão forte que o cristianismo foi  angariando novos adeptos dentro do império constituindo assim um grande perigo para o poder real.

Rendendo-se a esta realidade o imperador Constantino sentiu-se obrigado a permitir o livre culto das crenças cristãs em 312.

A  sociedade  romana do século III vivia uma situação política perversa.  Incapazes de analisar perfeitamente, identificando correctamente as causas que estavam na sua origem os romanos atribuíram-na a ira de Deuses.

 Portanto, as instituições romanas revelavam-se já incapazes de conter a anarquia militar e política que lavrava o império. Havia assim que recorrer por muito que isso repugnasse a aristocracia romana, a única organização que até ai dera prova da sua capacidade de coesão e unidade: os cristãos.

Assim, Constantino ao conceder liberdade de culto aos cristãos fê-lo como uma aliança político militar mediante a qual em troca da liberdade do culto, as autoridades cristãs concederiam auxilio militar político e religioso.

Em 325 Constantino convoca o  concilio de Nicea na qual punha fim as rivalidade entre o cristianismo e o politeísmo romano ora ainda praticado dentro do império, ao proibir cultos politeístas e perseguir os seus seguidores.

Gomes aponta o seguinte:
Creio num só Deus pai todo poderoso, criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, creio num só senhor, Jesus Cristo, filho de Deus, o unigénito do pai isto é, engendrado da essência  do pai, Deus de Deus, luz da luz, verdadeiro Deus do verdadeiro Deus, engendrado mas não criado; consubstancial ao pai por quem todas as coisas foram feitas; que por nos homens e para a nossa salvação desceu do céu encanou e se fez homem sofreu e ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus e voltara para julgar os vivos e os mortos. Creio  no espírito santo(...). (Gomes,1988:79)


Relativamente  às fontes, a historiografia cristã baseava-se em fontes doutrinárias e fontes históricas. Esta historiografia inicia o seu trabalho a partir de uma selecção prévia de informação a utilizar. Caracterizava-se por ser uma historiografia apologética construindo assim a sua versão da história humana e providencialista na medida em que coloca por cima da livre vontade dos homens a vontade de Deus e o seu designo sobre o mundo.

Portando, pode-se concluir que a cristianização das estruturas políticas, económicas, sociais, culturais e mentais do império romano contribuiu de maneiras para a sua queda e semeou uma nova sociedade de cujos  princípios se fundamentavam através de Deus criador: sociedade Medieval, que a seguir faremos um estudo pormenorizado.

4.5. HISTORIOGRAFIA CRISTÃ MEDIEVAL

Começa por volta do ano 476 no século V com a queda do império romano do Ocidente na sequência da tomada de Roma pelos bárbaros. A destruição do Império   do Ocidente marca o fim da Antiguidade esclavagista e o início da Idade Média feudal. A substituição da formas de vida política, económica e social até ai estabelecidas devido a paralisação da actividade comercial, destruição das cidades e fuga das populações das zonas urbanas para as rurais (ruralização).

O ecumenismo grego e romano foram frutos de expansão, daí  o período medieval ser considerado um período de retrocesso devido a regressão da expansão na medida em que as pessoas regressaram ao campo onde encontraram a base da riqueza - a terra. Os contactos entre as pessoas diminuíram, a sociedade tornou-se fechada e conservadora com traços gentílicos de uma sociedade socialmente igualitária do século I na idade media o cristianismo tornou-se uma religião de classes onde o clero ocupa um lugar de destaque na hierarquia social.

Portanto o advento da Idade Média do século  IV V, acompanha a progressiva implantação do cristianismo no mundo ocidental e a instalação do pensamento cristão como forma de pensamento dominante entre a classe intelectual. Esta transformação das estruturas mentais e intelectuais  que vinha do Império romano fez aparecer uma nova concepção historiografia norteada pela concepção cristã do mundo cuja  produção é da responsabilidades dos monges.

Segundo a concepção medieval da história todo o curso da humanidade é regida pela providência divina .

Para Mercea Eliade a história medieval revela-se como nova dimensão da presença de Deus no mundo. Esta concepção tem uma finalidade trans-histórica.

Contrariamente a este pensador, Henri Marrou defende que o cristianismo medieval contribui de dois modos para o desenvolvimento do pensamento histórico:

Porque assenta numa concepção de tempo contínuo e irreversível, isto é, os acontecimentos da vida de Jesus são datados e localizados;

Transmite uma filosofia de história, ao considerar o papel da providência como motor da evolução.

A historiografia medieval é a aplicação da concepção de Santo Agostinho na sua obra “Cidade de Deus,” ao afirmar que os romanos foram honrados em quase todas as nações. Não têm motivos para se queixar da justiça de Deus supremo e verdadeiro: receberam uma recompensa. Em contra partida os judeus que tinham morto cristo, foram justamente entregues aos romanos para a glória destes. Aqueles que pela sua virtudes procuram obter a gloria terrestre devem vencer aqueles que com seus enormes vícios  mataram e recusaram a verdadeira gloria da cidade eterna.

Portanto, Santo Agostinho defende  fortemente que os acontecimentos são de origem divina e não podem ser concebidos de outro modo.

A partir do século XIII surge na Europa ocidental um novo tipo de historiografia de iniciativa régia  ou senhorial, que tem por centro as respectivas cortes e por autores cronistas ao serviço dos reis ou dos senhores que lhes contratam e lhes encomendam as Crónicas dos seus principados ou reinados.

Tratava-se não de uma transmissão de uma imagem fiel e objectiva dos factos narrados mas de uma imagem conveniente à instituição servida pelo cronista. Até que o próprio colunista era um homem ao serviço do príncipe.

Enquanto esta história palaciana  continuava a assegurar séculos próximos através de Crónicas e Annales , o século XIV vê a emergir a historiografia burguesa fazendo a história das cidades que se tornaram autónomas. Deste modo, as Crónicas burguesas do século XIV abandonaram sem polemizar a historiografia cristã medieval, encaminhando-se para uma secularização da história, isto é, uma fase em que o homem substitui o deus no desenvolvimento da história da humanidade. Assim, transitava-se da historiografia cristã medieval  para uma historiografia antropocêntrica  ou de renascimento, nos séculos XV e XVI.




4.6. HISTORIOGRAFIA DO SÉCULO XV-XVI


A historiografia crista medieval  era essencialmente teocêntrica, onde Deus vigorava como centro do processo histórico. Na historiografia do renascimento, desloca-se esse centro para o homem ou seja houve uma valorização do homem do teocentrismo que passou para antropocentrismo, o homem culto moral e racional que não precisa de invocar o espirito e imagens divinas para explicar tudo que estava a sua volta.

Pico Della Mirandola (1463-1494) da academia platónica de Florença segundo Gomes (1988:114) foi quem colocou na boca de Deus a carta de Alforria do homem ao afirmar: “(...) Adão, não te demos nem lugar preciso nem forma que te seja própria, nem função particular, afim de que de acordo com os seus desejos e teu discernimento possas tomar e adquirir o lugar, as formas e as funções que desejares (...)”.

E, finalmente, o homem passou a ocupar o centro do universo ganhando grandeza e dignidade comparativamente ao homem bíblico.

O espirito crítico desenvolvido no Renascimento teve reflexões a nível da história que passou a ser meio de fundamentação de críticas às sociedades do tempo.

A Reforma Religiosa teve um papel preponderante no desenvolvimento da preocupação crítica dos textos visto que para fundamentarem a sua doutrina e se auto-proclamarem como legitimas herdeiras das primeiras comunidades cristãs, os movimentos religiosos foram incitados a proceder a uma analise dos textos sagrados no sentido de verificar a sua autenticidade.

Todavia, o carácter dominante na historiografia do século XV relaciona-se com o facto de os humanistas terem voltado ao pragmatismo ao terem reduzido a história quase exclusivamente a política onde esta destinava-se a acrescentar a reputação do Estado e facilitar a educação dos reis e príncipes.

Assim, a historia tinha uma função educativa na medida em que ela era usada para os príncipes e reis aprenderem a melhor forma de governar os seus reinos bem como aprenderem exemplo que não deviam ser seguidos.

O século XV pôs em prática uma nova teoria de poder (o poder absoluto) que traz-nos uma nova concepção de estado no que respeita as instituições políticas: um estado temporal e soberano totalmente independente da tutela da igreja, centralizado e único.

O maior mentor deste novo estado foi italiano Nicolau Maquiavel (1469-1527), na sua obra “discursos”, ele pronuncia-se pela excelência do regime republicano ou seja, ele entende que o ideal do Estado é o regime republicano com a eleição dos dirigentes, o que considera mais adequado para evitar os abusos do poder e para enfrentar os privilégios feudais. A sua concepção tem por base as sociedades quatrocentista em que a burguesia, interessada na livre circulação dos seus produtos, aspirava a formação de mercados nacionais cada vez mais vastos, económica e politicamente integrados.

Um outro aspecto abordado por Maquiavel, foi a problemática do sujeito do processo histórico. Para ele, se Deus e a fortuna têm alguma margem de intervenção na história ao homem pertence pelo menos metade desta intervenção

Sei muito bem que alguns foram e são de opinião de que os assuntos deste mundo são de tal modo governados por Deus (...) os homens apesar de toda sua sabedoria, não os podem corrigir nem para eles tem sequer nenhum remédio. Assim seria lógico que (...) se deixam governar pela sorte.
Esta opinião reconquistou crédito no nosso tempo com as revoluções (...). Contudo, para que o nosso livre arbítrio não se instinga, parece me possível que a fortuna seja sanhora da metade das nossas obras , mas que nos deixe governar (...) a outra metade. Comparo-a àqueles rios que costumavam transbordar, (...) inundam as planícies em redor, destroem ‘arvores e casas, (...). Todos fogem diante dele (...) ao seu furor sem nada poder fazer para conter. Mas, embora mostre-se assim furiosos em certas estacões (...), no tempo calmo não deixam de ter a liberdade de providenciar por meio de muralhas  diques de modo que se o seu caudal aumentar de novo transborde por um canal ou encontre pela frente um dique que lhes contenha o furor e não permitam que sejam tão ruinosos Maquiavel “O Príncipe   


No quadro do alargamento dos mercados comerciais, a burguesia viajara e entrara em contacto com povos de diferente raças costumes, religião, sensibilidades morais e estéticas, o que contribuiu para despertar nelas a ideia da relatividade das coisas.

Perante este mundo diversificado, a burguesia sentiu a necessidade de criar um novo critério de verdade que lhe permitisse uma orientação. Esse critério, foi a experiência.

A partir deste novo critério, acentuaram-se as exigências racionais de coerência entre a teoria e a prática assim como o hábito de submeter a validade de juízos a sua comprovação. Ao pôr em causa as versões correntes do saber antigo, a experiência burguesa, despertou nos humanistas o espírito crítico e a exigência intelectual de reconstituir os textos antigos aos contextos históricos em que tinham surgido.

Do ponto de vista historiográfico, há que destacar a obra do italiano Lourenço Valla (1407-1457) que consistiu em ter provado a falsidade da “doação de Contantino”. Pertença doação feita pelo imperador Constantino (312-327) à Igreja católica e que por esta era invocada para legitimar o seu poder temporal. 

À Valla  pertence o mérito de ter provado a sua falsidade demonstrando  em vez de o documento corresponder à época de Constantino, que viveu no século IV, o seu estilo correspondia ao estilo medieval do século VIII.

No século XVI, alarga-se o tempo temático da pesquisa histórica, na medida em que  a história passa a desenvolver uma diversidade de temas de carácter económico, social e cultural, não obstante a primazia dos factos políticos.

Foi neste mesmo século que surgiram as primeiras tentativas de explicação dos fenómenos económicos. É o caso da teoria quantitativa dos preços mediante o qual, o francês Jean Budin (1530-1596) pretendeu explicar a subida dos preços atribuindo-a a abundância dos ouro e da prata que afluíram na Europa provenientes das colónias espanholas da América.

O facto de se terem ensaiado tentativas de explicação destas questões, não propriamente segundo uma perspectiva histórica, faz-nos situar no século XVI, uma etapa importante do aperfeiçoamento do conhecimento científico em história.

Um outro pensados renascentista, foi o português Fernão Lopes o prólogo da crónica do Dom João I de que ele é autor. Um documento notável do ponto de vista da definição da historiografia. Nele está patente a sua defesa da independência do historiador perante as autoridades e o sentido da sua responsabilidade perante o povo, procedimentos que coloca Lopes na vanguarda dos historiadores europeus do seu tempo. Para Lopes, o motor da história é a sociedade no seu conjunto, mas propriamente o povo.

4.7. HISTORIOGRAFIA dos séculos XVII – XVIII

No século XVII, as ciências exactas e naturais tiveram grandes progressos. Em 1628  Harvey dá a conhecer os princípios da circulação do sangue no corpo humano com a publicação dos discursos de Galileu em 1638, com a experimentação de Torricelli e Pascal e com o progresso dos matemáticos a física avançava.

Tendo posto em causa o legado cultural deixado pelos antigos, os descobrimentos ibéricos tinham substituindo como critério de verdade o saber livresco pela experiência Senhorial. Mas se no domínio das ciências da natureza era possível tomar como critério de verdade a evidencia senhorial , isto é, a experiência, já no domínio das ideias isso não era possível.

Colmatando essa lacuna surge Descartes a preconizar como critério de verdade a evidencia racional (racionalismo). Simplesmente longe de ser um dado imediato dos sentidos ou da revelação divina, a evidencia é o termo de um longo trabalho crítico efectuado através de sucessivas análises  e sínteses e permanentemente acompanhado por uma dúvida metódica  que surge o método histórico de investigação sobre a qual ira erguer-se pouco a pouco o edifício da historiografia científica.

Entretanto no século XVII a história recua. Com efeito não só do ponto de vista religioso se reafirma a concepção teológica (Deus guia o mundo) como do humanismo se conserva exclusivamente o aspecto literário e artístico silenciando o despertar da curiosidade universal do espírito.

Busset (1627-1704) na sua obra “discurso sobre a história universal” admite que o processo histórico é determinado não só pela intervenção de Deus mas também pela intervenção de causas naturais. Ao mesmo tempo na Inglaterra davam-se importantes passos para o futuro do pensamento histórico. Surgiram os primeiros ensaios da demografia histórica; as primeiras tentativas de explicação do produto nacional e com William Petty os primeiros trabalho de que ele denominou de “aritmética política” ( induções e deduções a partir das estatísticas políticas).

No século XVIII e sobre o impulso da filosofia das luzes (iluminismo), a história desenvolveu-se a vários níveis. O seu conteúdo deixou decididamente de se dedicar as narrações de guerra ou de vida dos monarcas. O campo das investigações históricas é substancialmente alargado.

Voltaire no “ensaio sobre costumes e o espirito das nações” é um bom exemplo destas tendências “ eu desejo descobrir como era então (nos séculos XII e XIV) a sociedade dos homens, como se vivia no seio das famílias, que antes eram cultivados, em vez de repetir tantas desgraças e tantos combates, funestos objectos da historia em lugares comuns da maldade humana.”
Até ai confinado as classes políticas da classe dominantes, o objecto da história ‘e alargado a todos os aspectos da sociedade: a economia, aos costumes as instituições.

O problema das instituições políticas que já fora abordado anteriormente por Maquiavel e Bodin agora abordado por Montesquieu (“o espirito das leis”) e por Rousseau ( “o discurso sobre a origem das desigualdades entre os homens” e do “contracto social”).

Montesquieu, apesar da sua ambiciosa investigação no domínio dos factos naturais que conciliaram a organização das instituições políticas e as varias formas de estruturação do poder, acabou por fazer do “ espirito das leis” um compromisso entre a burguesia e a nobreza defendendo um regime de monarquia constitucional onde a nobreza tradicional teria um lugar de destaque.

Rousseau foi o defensor de alguns dos valores mas caros a nova sociedade burguesa: a soberania popular como fonte de legitimidade do poder, o amor de liberdade e da independência na igualdade entre os homens, o amor fraternal e universal, o amor a natureza e a vida simples e espontânea, o casamento por amor...

5. Historiografia do Século XIX
5.1. HISTORIOGRAFIA ROMÂNTICA

Esta corrente historiografia, foi marcada  por dois grandes acontecimentos:  A revolução burguesa na França e a revolução industrial na Inglaterra. Antes da revolução francesa,  existia na França uma estratificação social composta por clero, nobreza e terceiro estado. Era governada por um regime absolutista onde o clero e a nobreza chamavam a si todos os poderes, enquanto as massas  ( San Collotes) não tinham nenhum direito vivendo numa pobreza estrema.

Com a revolução industrial, os comerciantes foram acumulando muitos capitais formando assim a classe intermédia- a burguesia. Com o decorrer do tempo, esta burguesia estando economicamente forte ambiciona o poder. Sendo assim, com a ajuda do terceiro estado ( San Collotes), a burguesia consegue derrubar o clero e a nobreza do poder. Uma vez no poder a burguesia esquece-se do terceiro estado deixando esta ainda numa vida dissoluta, o que semeia-lhes uma insatisfação. Foi assim que, organizados, os San Collotes  derrubaram a burguesia e passou a classe média. Portando o Romantismo vai conhecer três  sobcorrentes:

5.1.2. Romantismo conservador
Defendido por: Chateaubriand, Joseph Maistre, De Bonald.
Aguçados pela nostalgia, ambicionam voltar o retomar a idade média, pois foi a altura em que eles tinham maior expressão (o clero e a nobreza). Defendiam a restauração da fé cristã como fonte da vida, isto é, queriam a uniam entre o estado e a igreja.


5.1.3. Romantismo Liberal
Defendido por: Michelet, Thierry, Guisot, Alexandre Herculano...
Considerando que a burguesia mergulha as suas raízes na idade média, esta também cobiça recuar no tempo até a “época das trevas”, época esta onde ela encontrara maior expressão ( baixa idade média). Defendia a separação dos poderes religioso e político.

5.1.4. Romantismo socialista
Defendido por: Saint Simon, Charles Fourier, Robert Owen…
Levada a cabo por San Collotes que pretende o poder depois da revolução industrial. Estes defendem a igualdade de direitos entre todos os cidadãos, defendendo uma sociedade sem classe, o que em regra geral não é possível. Daí serem apelidados por socialistas utópicos

Duma forma geral esta historiografia caracteriza-se pela:

- Permanecia da abordagem da problemática do sujeito histórico. Com a influencia da revolução industrial, alguns historiadores defende que o sujeito da historia é o povo pois foi o povo que contribuiu para o fim do absolutismo;

- Tendência de se escrever histórias racionais  como fruto da influencia do próprio Romantismo que valorizou o amor a pátria ou seja a uma exaltação do sentimento nacional patriótico;

-  Tendência de se escrever uma história total, alargando assim o campo temático da história, diversificando os temas a abordar, isto é não somente os factos políticos. Devem ser considerados todos aspectos que dizem respeito a vida do homem;

- Preferência de temas medievais pelos conservadores, foi a sua época de prosperidade e pela burguesia, foi a sua época de grande expressão;

Os românticos debruçaram-se no seu estudo sobre a Idade Média com base nos documentos escritos visto que com as revoluções os arquivos senhorias passaram para as mãos do estado e são postos a disposição dos historiadores românticos.

A concepção historiográfica do romantismo foi influenciada pela ideologia liberal. Que defende que a história não deve ser estudo de grandes homens mas deve ser o estudo do povo (que é o objecto de estudo da história), nos seus  aspectos sociais, das instituições em geral da sociedade.

5.1.5. Principais inovações da historiografia romântica 

- Alargamento da investigação histórica o passado tornam-se o fulcro das atenções e na buscas das origens, descobre a idade média e com ela redescobre-se o gosto pelo passado mas também a ideia  de mudança e progresso histórico.

- A  Alteração do objecto da historia. Esta na mira dos historiadores, não apenas os factos políticos e individuais, mas também os factos ideológicos e mentais. O conhecimento global das sociedades e das suas instituições. O interesse dos historiadores debruçam-se também por outras civilizações e pelo exotismo dos seus costumes.

- Definição de nova metodologia - o método científico

Se procedermos uma avaliação crítica a  historiografia romântica perceberemos que os historiadores românticos preocuparam-se pouco com a objectividade da historia  na medida em que estavam mais empenhados em invocar a idade média; em acentuar a individualidade racional, em glorificar a pátria e a revolução, do que em abrir novas vias de investigação histórica. Daí que a historiografia romântica não conseguiu satisfazer por muito tempo os espíritos ávidos de uma explicação racional.

Portanto, o historiador não poderia continuar a ser romancistas do passado. Daí que esta corrente foi em breve abalada por uma nova corrente - o positivismo de Augusto Conte que exigia da história “ uma verdadeira filiação racional nas sequências dos acontecimentos  sociais” onde a história devia elevar-se para além do individual, formular leis absolutas objectivas e universais.

5.2. MATERIALISMO HISTÓRICO

Esta corrente surge por volta do  1848, como fruto da conjura Europeia que então se vivia. Numa época da expansão industrial   e do capitalismo que originou a  concorrência da mão de obra, que levou a degradação das condições de vida do proletariado e o consequente distanciamento entre as classes ( trabalhadora e patronal).

Esta é também uma época do triunfo dos movimentos nacionalistas, dos ideais autonomistas dos povos, do sindicalismo...

Esta corrente filosófica foi criada por Karl Marx ( 1818-1883) e Friedrich Engels ( 1820-1895) que pretende adoptar a análise da realidade histórica a dialéctica Hegeliana expressa no trinómio  Tese – Antítese – Síntese por esta razão esta corrente é também apelidado de Materialismo Dialéctico.

Mas, a dialéctica de Hegel não é uma concepção da historia na medida em que ele prima o mundo das ideias expressa no trinómio. É na base da dialéctica hegeliana que Marx fez a analise da história da humanidade, materializado-o.

Quando se fala  do materialismo histórico deve se ter em conta os modos de produção. Para Marx o modo de produção é constituído por dois elementos fundamentais: A infra-estrutura e a superestrutura.

A infra-estrutura diz respeito as forças de produção que integra a força de trabalho o elemento que entra com a energia física e mental necessária a execução da produtividade (o trabalhador) e os meios de produção tudo que o trabalhador  necessita para produzir (terra , alfaias agrícolas, as sementes, os animais de tracção, ...) e as relações de produção que segundo Marx seriam as seguintes:

Primeiro, em que os meios de produção pertenciam aos trabalhadores, teria sido o modo de produção primitivo caracterizado pela propriedade colectiva da terra e pela divisão do trabalho na base de sexo e idade e as relações eram na base da igualdade e solidariedade ao que Marx apelidou de – Comunismo primitivo;

Segundo formas de relação em que os trabalhadores e os proprietários de modos de produção são entidades distintas, em que a relação de produção é feita entre trabalhadores e os proprietários dos meios de produção tomam o seguinte caracter:

a)  Em que relação de produção toma a forma de relação senhor-escravo, como resultado de guerras destinadas a conquistas de terras férteis nas quais os vencedores transformam os vencidos   em escravos, dando origem a uma sociedade diferenciada  em classes distintas e de interesses antagónicos- Sociedade escravagista.

b) Em que a relação de produção toma a forma de relação senhor-servo. Derivou da forma típica da exploração da grande propriedade feudal, onde o servo tinha que pagar uma renda anual, vários impostos ao longo do ano e prestar serviços gratuitos ao senhor- sociedade feudal.

c) Em que a relação de produção toma a forma de relação patrão-assalariado. Tendo surgido com as transformações económicas provocadas pela revolução comercial que originou maior procura de mão-de-obra e a consequente passagem dos servos a condição de assalariado, situação que acelerou-se com a proletarização e pauperização da mão-de-obra provocada pela revolução industrial - sociedade capitalista.

 A superestrutura que diz respeito a política, a ideologia, a jurisdição ( o mundo de ideais).

Segundo o marxismo a superestrutura é o reflexo da infra-estrutura dai podemos dizer que é a própria dinâmica social de um povo ou de uma nação que dita a sua mentalidade. Já Karl Marx tinha dito que não é a consciência do homem que determina a sua existência social  mas sim a sua existência social determina a sua consciência.

Pelo que o marxismo defende que são as relações de produção a base explicativa da sociedade. Todo aparelho ideológico, todas as tendências culturais, religiosas e políticas são  o reflexo destas estruturas sócio-económicas.

Estes pressupostos conduzem  a uma concepção de evolução histórica cuja as premissas seriam: a historia das sociedades humanas revela uma sucessão de modos de produção : comunismo primitivo, produção esclavagita, produção feudal e  produção capitalista; em cada modo de produção a estrutura económica impõe-se a superestrutura  jurídico, político e ideológico. Embora haja reacção de todos estes factores numa perspectiva materialista a historia é globalizante ( total); a passagem de um modo de produção ao seguinte é suscitada pela oposição, contradição existente na infra-estrutura económica, quando as forças produtivas entram em confronto com as relações de produção. É a dialéctica força motora da história, materializada na luta de classe que Marx considerou de motor da historia; no processo histórico extraem-se leis de evolução que permitem prever o futuro da humanidade, segundo Marx seria a eliminação da burguesia pelo proletariado e o estabelecimento de uma sociedade sem classes, sem estado com a qual o homem alcançaria a liberdade.

O método historiográfico usado foi o método dialéctico herdado de   Hegel e transposto do estudo das ideias para o estudo da realidade social. Para Marx o processo dialéctico não tinha lugar no mundo abstracto das ideais  mas sim no mundo material das coisas dai que considera que nada existe em situação estática tudo esta num processo de evolução pelo que propõem um certo finalismo- a síntese suprema- o comunismo

5.2.1. Influência do materialismo histórico a historiografia do século XX

Em primeiro lugar, reflectia e simultaneamente estimula uma nova orientação de investigação histórica quer doravante se afastaria da análise descritiva de acontecimentos insolados – na maior parte de ordem política para se consagrar a investigação de processos sociais e económicos complexos de grande amplitude; em segundo lugar, ele ajuda o historiador a tomar consciência da necessidade de estudar as condições matérias da existência dos homens, e a história das técnicas e do desenvolvimento histórico no contexto global das relações industriais e não como mero fenómenos insolados; em terceiro lugar, o marxismo convidava a estudar o papel das massas na história, mas particularmente nas épocas da desordem social e política; em quarto lugar, o conceito marxista da estrutura de classe e de investigação de Marx, sob a luta de classe não só viria a exercer uma influência profunda sobre os estudos históricos como também em certos pontos particulares chamariam atenção do historiadores para o estudo da formação de classes na origem da sociedade burguesa ocidental, e para a investigação de processos analógicos noutros sistemas nomeadamente nas sociedades que  baseiam na escravatura   e no feudalismo; em quinto lugar, o marxismo desempenhou um papel importante renovando o interesse desempenhado nas premissas teóricas da investigação histórica   e a teoria da historia em geral. Para Marx a historia é simultaneamente um processo natural obedecendo a leis definidas e a um drama universal escrito e representado pelo próprio homem. Se Marx e Engels sublinham que o historiador não pode contenta-se em conseguir a sequência cronológica dos acontecimentos. Deve encontrar para eles uma explicação teórica utilizando para isso todo o aparelho conceptual, por outro lado afirma categoricamente: que de modo algum estas abstracções dão uma receita um esquema segundo o qual se possam arrumar as épocas históricas.

Esta historiografia é criticada pelo estabelecimento do primado da economia na explicação histórica, isto, é, a sobrevalorização das estruturas económicas ( infra-estrutura) sobre as restantes; pela tendência de colocar a infra-estrutura as mentalidade como ponto fulcral da evolução histórica e pela crença numa historia de evolução linear na medida que  o marxismo considera que todo o processo histórico se constrói na base de um único modelo de evolução- os modo de produção.

5.3. HISTORIOGRAFIA POSITIVISTA

O Positivismo é uma corrente historiografia que surgiu na II metade do século XIX como reacção ao Romantismo cujo fundador e principal interprete foi o filosofo francês Augusto  Comte (1798-1857).

Segundo Comte, a filosofia do Positivismo baseia-se em três fases ou estádios de evolução do pensamento humano:

- Fase teológica a explicação dos fenómenos é atribuído as causas sobrenaturais ou seja a causa dos fenómenos é atribuída a Deus ou aos deuses e corresponde ao estado teocrático.
- Fase metafísica a explicação dos fenómenos é atribuído a causas vagas e fictícias e corresponde ao Estado anárquico.
- Fase positiva a explicação dos fenómenos é atribuído a causas naturais e compete as ciências a sua descoberta e corresponde ao Estado sociocrático.

Alguns historiadores consideravam que Comte ao dividir a história em três fases inaugurou o Positivismo liberal voltado aos factos mentais e intelectuais.

Portanto, Augusto Comte o reformador, foi quem lançou as bases do positivismo sociologial que encontramos no século XIX. O Cientismo ou seja o culto pela ciência devido precisamente ao seu desenvolvimento do século XIX onde nos encontramos num progresso técnico ( época da II fase revolução industrial).

Para os positivistas a história é uma ciência do homem  e não da natureza. O processo histórico é na sua origem idêntico ao processo natural. Para tal, devia-se aplicar à história a base do método das ciências da natureza  para que esta se torne uma ciência positiva. Neste contexto, admitiam que em história podiam ser elaboradas leis que seriam eternas, universais e globais. Estamos aqui perante a valorização da experiência em detrimento da razão. Os positivistas queriam colocar a história a par das chamadas ciências exactas.

Em termos de objecto, a concepção historiografia do positivismo era uma concepção atomistica da história  ou seja um estudo dos factos insolados, fazia-se o estudo exclusivo dos factos políticos e o tempo utilizado era o tempo breve ( de curta duração) como lhe chamou Fernando Brandel.

Defendendo a concepção da objectividade total ( passividade do historiador em relação as fontes) os positivistas em termos epistemológicos supervalorizam o objecto e desprezam totalmente o sujeito na ânsia de promoverem uma ciência exacta das coisas do espirito ( narrar os acontecimentos passados tal e  qual como na realidade aconteceram).

Portanto, o historiador era omnipresente, que não emite juízos de valores sobre os factos devendo dizer apenas o que eram. Cada  facto para além de ser considerado independente do conjunto era também considerado do próprio sujeito.

 Quanto ao método foi influenciado pelo método das ciências da natureza, divide-se em duas fases:
- 1° determinação dos factos.
- 2°  estabelecimento das leis.

Duma forma sintética a esta historiografia caracteriza-se: pela defesa  de uma história possível de estabelecer leis de evolução;   defesa do cientismo histórico (previsão que se faz pelas ciências exactas ), através da observação dos factos históricos contidos no documento ; defesa do facto único, isto é, os factos não devem ser associados, devem ser analisados isoladamente; factos políticos entre factos políticos, factos económicos entre factos económicos (...); defendem uma crítica exigente às fontes  muito semelhante as da ciências naturais ou objectivas; é adepta da objectividade absoluta (fazer história consiste em abstrair-se de factos do seu conhecimento); reduz a concepção do documento histórico que por exigência metodológica passa a ser fundamentalmente escrito; pretende obter do passado uma imagem mas próxima possível daquela que seria conseguida pela observação directa; privilegia eventos de Índole político militar e diplomático; defesa do facto único não integrado em conjuntos homogéneos ou sérias; defende dois géneros de narrativa histórica: o de história episódica ou de história quadro. 

Esta historiografia é criticada pela sua exigência de objectividade absoluta que vedavam ao historiador positivista tanto a parcialidade como o juízo de valor ou seja o historiador positivista supervaloriza o objecto e renega o sujeito como elemento activo na construção do passado humano. A historiografia positivista tinha uma concepção atomistica dos factos históricos na medida em que supunha que eles podiam ser analisado um a um separadamente uns dos outros como se constituíssem unidades autónomas;  o positivismo pretendia aplicar  à história,  os métodos das ciências naturais, tendo em vista transformá-la numa ciência regida por leis naturais (defende método da experimentação). Em vez de conceberem a historia em termos de evolução, os positivistas concebiam-na em termos de sucessão, pois para eles, as fontes históricas reduziam-se ao documento escrito; privilegiavam grandes e ou acontecimento político, militares e diplomáticos que respondiam as exigências dos três estados, limitando o âmbito histórico.

Foi a partir destas insuficiências que ainda na segunda metade do mesmo século a historiografia positivista começa a ser posta em questão. Foi nesta perspectiva que surgiu na Alemanha em reacção ao positivismo  uma nova corrente historiografia- o Historicismo.

5.4. Historiografia Historicista
Esta corrente historiográfica surge na segunda metade do século XIX na Alemanha em reação ao Positivismo. O fundador foi Leopold Von Ranke – percursor que viveu entre 1795 a 1886. Foi defendida na Inglaterra pelo ColilngWood, na França pelo Raimond Aron e na Itália pelo Benedeto Croce.

O principal aspecto de discórdia entre esta corrente e o Positivismo reside no facto de, os positivistas defenderem a existências de leis de evolução das sociedades, enquanto que para os historicistas não é possível estabelecer  tais leis no processo histórico por haver uma diferença entre as ciências naturais e históricas, ou seja, entre o conhecimento pelas ciências da natureza e o conhecimento dado pelas ciências do homem, pois que nas primeiras o conhecimento é universal nas segundas o conhecimento é singular e não se repete.

O outro aspecto importante é o estatuto atribuido ao historiador: para os positivistas, o historiador  é um mero observador dos factos, isto é, ele toma um papel passivo perante as fontes. Quem deve fazer a análise e interpretção, é a Sociologia visto que para eles a história é auxiliar da Sociologia. Os historicistas sobrevalorizam o historiador, isto é, ele deve interpretar e analisar os factos recolhidos; ele deve tomar um papel activo perante as fontes (documento escrito).

Portanto, os historicistas defendem que o conhecimeto é relativo e subjectivo porque depende muito da personalidade do historiador, ou seja, não há uma única verdade histórica, tudo depende da capacidade de análise de cada um.

Assim, para os historicistas a intuição é o principal método a utilizar na investigação histórica e para compreender um determinado facto, o historiador deve explicar, justificar e interpretar. Exige-se que ele faça a relação dos acontecimentos.

Dado o carácter subjectivo e relativo defendido pelos historicistas, a prior Croce negou o carácter cintífico à história: afirmando que “ a história é uma arte”, em que a partir dela podemos fazer várias leituras em função da situação de quem a faz.

Como essa tese não tivesse sustento, Croce acabou aceitando o car’acter científico da história visto  que esta apresenta um objecto e um método de estudo.

A metodologia utilizada quanto à pesquisa histórica é a crítica filológica (heurística, crítica externa e internna ou hermeneutica).

Em relação ao objecto, é sobretudo o estudo dos aspectos políticos – História factológica – factos breves, embora os aspectos culturais tenham também a sua importância.

Dada a import6ancia que a personagem histórica adquire, devenvolvem-se nesta época biografias.
Ầ corrente historiográfica historicista critica-se o total subjectivismo que proclama, a supremacia do sujeito em relação ao objecto. Situação que leva a exageros que são criticados polo Lucien febre ao afirmar que os hiastoriadores positivistas transformaram-se em processadores, ora criticando as personagens ora elogiando-os.

Creitica-se ainda pelo facto de os historicistas terem reduzido a história aos factos de índole político- militar e institucional e a tendência para a recolha monográfica destes, negligenciando os aspectos de ordem económica, social e cultural. E por ter dado o primato às fontes escritas tal como os positivistas.

5.5. Historiografia do século XX

5.5.1.A crise da história nos finais do século XIX

Até finais do século XIX, ainda vigorava o modelo Positivista tradicional, não osbtante ter sido enriquecido pelo modelo historicista, ao negar o estabelecimento de leis em história e ao valorizar o papel do sujeito na elaboração da história (relatividade e subjectividade).

Mesmo com a emergência das ciências sociais na segunda metade do século XIX, (sociologia, Geografia Humana, Psicologia, etc), a história continuava a “mãe” uma espécie de dona e senhora do conhecimento humano. Até esta fase a história confinava-se pyura e simplesmente nos aspectos institucionais, políticos e culturais, característicoa do movimento positivista.

Este estatuto privilegiado da história, sofre embates e críticas que se aprofundaram nas primeiras décadas do século XX.

5.5.2. Factores da Crise 
1 Emergência das correntes historiográficas__ Marx e Engels trazem uma nova concepção  da história ( materialista), onde acentuam o papel das massas e não dos indivíduos, a preferência pelo estudo das economias e sociedades em lugar dos aspectos políticos.

François Simiand, economista e sociólogo, denúncia três ídolos dos historiadores então em vigor:
·         Ídolo político que os leva a dar importância  exagerada aos aspectos políticos, guerras, etc.
·         Ídolo individual ou a história de ordenar as pesquisas em torno de um indivíduo e não dos fenómenos sociais,
·         Ídolo cronológico, o hábito de se perderem no estudo da origem do passado.

2 Evolução científica  - o rápido e extraordinário progresso  sobretudo das ciências naturais revoluciona os quadros do saber estabelecidos. O saber deixa de ser um dado feito, acabado, para se encontrar continuamente em mudança, com os homens, isto é, o saber deixa de ser estático, mas sim susceptível a mudanças.

3 Emergência das Ciências humanas e sociais -  Na segunda metade do século XIX, a história perde a exclusividade do cohecimento com a emergências denovas ciências que vão compartilhar o homem como objecto de estudo. Por exemplo a Sociologia de Durkein que estuda a comparação genética dos grupos sociais; a Geografia Humana de Vidal de la Blanch, luta pela inserção do homem no espaço; a Antropologia que estuda o homem a partir das suas produções e reproduções.

Portanto, a crescente importância destas ciências sociais, colocaram aos historidores três grandes problemas:
·         A definição e delimitação do conteúdo específico da História;
·         Reformulação da sua função objectiva nas sociedades hodiernas;
·         Metodologia.

5 O impacto das Novas Condições históricas resultantes da I e da II guerras Mundiais – Se compararmos  a situação mundial e alargarmos o nosso horizonte para comparar a situação do mundo na década de 50. quatro grandes mudanças se revelaram imediatamente:
·         Nada se produz doravante numa parte do globo que não tenha nenhuma repercussão nas outras partes;
·         O progresso da ciência e da técnica, impõe por parte uma nova forma de sociedade e novos pensamentos: Ex, a invenção do computador no Ocidente impôs uma nova vida, forma de pensar, investigar, aos povos do mundo.
·         Houve queda da preponderância europeia em benefício de outros continentes;
·         Enquanto no início do século XX, o regime democrático progredia sem encontrar contrastes, 60 anos depois, o comunismo que até 1930 restringia-se ao espaço soviético, estendia-se a 1/3 da população do globo.

Face a este todo cenário, os historiadores tradicionais viram-se obrigados a se redimirem do seu modelo com vista e se adequarem às novas realidades do mundo.

5.5.3. Os Novos Rumos da História do século XX
A partir do Século XX (1929), com a publicação da revista “Annales” por Lucien Febre e Marc Bloch, é combatido o modelo positivista em vigor.

A partir das críticas feitas ao Positivismo, deduzem-se as sehuintes coordenas da História Nova:
1 O alargamento do campo do historiador, isto é, defesa de uma história total, uma história que abarque todos aspectos humanos;

2 Alargamento do conceito de conceito de documento histórico, isto é, o documento histórico é tudo o que exprime o homem;

3 Aparecimento da história problema e a valorização do papel do historiador na construção da história. A investigação histórica deve partir de um problema, não de um documento como dfendiam os positivistas;

4 Alargamento cronológico e geográfico da história –  a história não é só o passado, mas sim o passado para comnpreender o presente e prespectivar o futuro. É  uma história universal, não só e só europeia.

5 Defesa da Interdisciplinaridade, isto é, se a História deve ser total, é imperiosa que ela mantinha um diálogo interdisciplinar com as outras ciências.

6 Com a morte dos dois fundadores da revista Annales, os destinos da Escola Nova ficaram na responsabilidade  de Ferdinand Braudel  que vai introduzir uma nova dimensão do tempo histórico nomeadamente:

  • Tempo curto ou tempo dos acontecimentos, relativoa à questões de guerras;
  • Tempo médio ou tempo das conjunturas, relitivos a variações cíclicas não superiores a um século;
  • Tempo longo ou tempo das estruturas, variações cíclicas de mais de um século.

6.    Historiografia africana
Durante muito tempo, mitos e preconceitos de toda espécie, ocultaram ao mundo a verdadeira história de África. As sociedade africanas eram vistas como sociedades que não podiam ter história. Apesar de importantes trabalhos realizados desde as primeiras décadas do século XX por pioneiros como Leo Frobeniuns, Maurice Delafosse, M˙ Bow (1991), aponta que um grande número de estudiosos não-fricanos, presos a certos postulados, afirmava que essas sociedade não podiam ser objecto de um estudo científico, devido, sobretudo, à auxência de fontes e de documentos escritos.

Negava-se à tradição oral africana, memória de povos que fornece a trama de muitos povos  que marcaram suas vidas. Para escrever a história de grande parte da África, recorria-se somente a fontes exteriores ao continente, e o resultado era uma visão não do que podia ter sido o percurso dos povos africanos, mas do que se pensava que ele devia ter sido. Sendo a Idade Média europeia frequentemente tomada como ponto de referência, os modos de produção as relações sociais e as instituições políticas eram analisadas somente em relação ao passado europeu.

De facto, havia uma recusa a considerar o povo africano como criador de culturas originais que froresceram e se perpectuaram através dos séculos por caminhos próprios, as quais os historiadores, a menos que abandonem certos preconceitose renovem seus métodos de abordagem, não podem aprender.

M˙ Bow (op cit), aponta que o continente africano quase nunca era considerado uma entidade histórica. Enfatisa-se a ideia de que em tempos muitíssimo remotos, havia uma cisão entre a África branca e a África negra, que se ignoravam mutuamente.

Os esforços dos africanos para conquistar ou reforçar sua independência, assegurar seu desenvolvimento e consolidar suas especificidades culturais devem estar enraizadas numa consciência histórica renovada, e intensamente vivida e assumida de geração em geração.

Um outro fenómeno que causou  grandes prejuízos ao estudo objectivo do passado africano foi o aparecimento com o trafico negreiro e colonização, de estereótipos raciais geradores de desprezos e de incompreensão e tão profundamente arraigados que chegaram a falsear  os próprios conceitos da historiografias. Com a introdução de noções de “brancos” e “negros” para nomear de forma genérica os colonizadores – vistos como superiores – e os colonizados, os africanos tiveram de lutar contra uma dupla servidão a humana e a psicológica. Este processo de falsa identificação reduz a historia dos povos africanos a uma etno-história, na qual a apreciação das realidades históricas e culturais só poderia ser deformada.

Com tudo, a partir do final da segunda guerra mundial, em particular, desde que os países africanos, tendo conquistado sua independência, começaram participar activamente da vida da comunidade internacional e dos intercâmbios que ela implica. Um numero considerado dos historiadores empenha-se em abordar a historia de africa com maior rigor, objectividade e imparcialidade, utilizando, com as suas precauções, fontes africanas originais. No exercício do seu direito a iniciativa histórica, os próprios africanos sentiram profundamente a necessidade de restabelecer em bases sólidas a historicidade de suas sociedades.

Segundo Fage (1995)  a historiografia africana evoluiu em quatro grandes fases nomeadamente:

·         Fase da evolução do continente africano (1737-1884) – é a fase que temos uma historia imparcial, descritiva e por veses pormenorizada acerca dos povos africanos, o seu meio, os símbolos políticos, o desenvolvimento económico a evolução da sociedade, a cultura e religião. É uma história de profissionais ligados às sociedades de geografia e de antropologia que se desenvolveram na Inglaterra, França, Portugal e Bélgica. Ele considera o ano de 1737 como ponto de partida porque esta data marca a criação de instituições de investigação científica sobre África, início da publicação de obras sobre África.
  
·         Criação das administrações coloniais (1885-1920) – é a fase da integração euro centrista da africa nas historias dos impérios coloniais e a utilização dps resultados das investigações dos exploradores da fase anterior. É aqui desenvolvida a teoria euro centrista segundo a qual o africano antes do contacto com o europeu não tinha historia.

Nesta fase a um desenvolvimento de estudos etno-antropológico sobre África. Muitos historiadores adiantam que a ciência que poderia estudar a África seria a antropologia porque não há em África nebhuma escruta para a reconstituição do passado.  Análise do impacto da acção colonial através de identificação de problemas de ordem ambiental, social e cultural que dificultam os resultados esperados. Há discrições de campanhas de pacificação, isto é, pacificar o africano e ocupa-lo. A inicio de estudos aprofundados sobre a religião dos povos colonizados, estudos estes da competência dos missionários cujos resultados são usados para p+ropositos de explorações coloniais.

·         Métodos de colonização (1920-1960) segundo Fhilipe Curtin, citado por Fage esta fase é rica tanto em fontes como em temas. Em termos de fonte destacam-se os recenseamentos e os relatórios dos administradores coloniais que contêm realidades politicas, sociais e culturais do povo africano. Criação de centros de investigação científica nas colónias em cordenação com as metrópoles e a criação de revistas especializadas.

A produção de monografias com valor científicos por vezes com exageros etnocentristas, isto, é, valorização excessiva das  realizações africanas (afro centrismo). Realça-se que o afrocentrismo é também racista pois sobrevaloriza a raça africana em detrimento das outras.

·         Descolonização – identidades africanas (1960-nossos dias) – a emergência de estratégias nacionais de desenvolvimento e do discurso politico (ideologias) que passam a interferir na análise histórica africana.
O recurso aos estudos coloniais do período anterior embora equacionados com as exigências do patriotismo, coordenação regional no domínio da pesquisa cientifica e como fruto temos oito volumes da historia geral da UNESCO. Opção de macro-analises em detrimento de micro-análises por falta de vontade politica ou de domínio técnico relativo a micro-análises, isto é, escrevem-se histórias nacionais, não regionais para evitar revoltas tribais.

7.    Historiografia moçambicana

Segundo Capela 1991 apud Mussa (2006), em História é preciso questionar e problematizar. Por exemplo, a história escrita ontem sob regime monopartidário, era uma história prenhe de um discurso ideológico do partido no poder, sob alicerce do marxismo-leninismo, visando a glória e o teiunfo das acções do regime da “revolução Socialista moçambicana que vigorou até 1990.

Era uma história que defendia a criação de um homem novo. Capela fundamenta-se na História mo,cambicana da autoria do  Departamento de História da UEM, que de forma visível regista as suas páginas o seguinte (...) Esta é uma história de Moçambique. Tem e toma partido, tem e toma posição (...) Capela (1991:10-11).

É uma história pecaminosa pelo facto de não investigar de forma pormenorizada temas importantes como a autoridades tradicionais e instituições políticas em Moçambique, a cultura, a religião e a economia de Moçambique,  nos seus diversos aspectos e em diferentes partes do país em cada época. As religiões endógenas africanas nos manuais de História de Moçambique, são tratados como religiões m’agico-religiosas ou animistas apoiadas na feitiçaria e na magia.

Em contrapartida, poucos são os moçambicanos que não recorrem a tais religiões para invocação dos espíritos dos antepassados.

Um outro constrangimento da historiografia moçambicana é o de construir um edifício histórico para alojar os heróis da luta de libertação nacional, para desmascarar os colaboradores do colonislismo e motivar as novas gera,cões a aceitarem os princípios ideológocos do Regime Revolucionário insituido depois de 1975.

Os intelectuais que se não identificassem pelos novos ideias na Revolução Moçambicana, eram simplesmente excluidos e ignorados. Foi o caso de Kampa Simango, por exemplo, que em nehuma fase da História de Moçambique se fala deste grande intelectuual.

Ao ler os manuais da História de Moçambique sobre os reinos e império locais, os casos de Báruè, Matola, Fuma, Nhaca, Machaquene, Tembe Mataca e outros no Sul, Norte e Centro, não são estudados com a profundiadde requerida.

Porém, investiu-se e continua a se investir na pesquisa profunda sobre o estado de Gaza. O que estará a motivar esta postura? Terá sido a falta de fontes com credibilidade sobre estas unidades políticas ou é uma lacuna propositada?

Os Sultanatos de Angoche, os Xeicados de Moma, Sancul, Sangage e a Ilha de Moçambique, a penas são tratados como simples epicentos do tráfico de escravos em Moçambique. Em Contrapartida, sabe-se hoje que o comércio de escravos chegou a ser praticado em Inhambane.

Quando se faz a abordagem sobre o papel da Igreja na forma,cão e educação dos moçambicanos, tenta se mostrar e provar que a Igreja católica, em Moçambique apenas apoiou o colonialismo, nada fez pelo homem moçambicano, o que n~ao constitui a verdade, pois não é menos verdade que nas zonas rurais, esta Igreja muito serviu às populações em assistência sanitária e na educação. Por exemplo, aos grandes professores que ensinavam aos indígenas eram formados pela Igreja Católica. Dirigentes da Frelimo, do Governo e mesmo da Renamo e outros partidos políticos moçambicanos, fizeram os seus estudios iniciais  sob tutela da Igreja Católica.  

Como proposta para suprir estes problemas, talvez fosse uma mais valia que os trabalhos de diplomas de estudantes da UEM, UP e mais e tentar publicá-los. Daí resultaria uma história escrita por nós e para nós.

Bibliography

1. Bíblia Sagrada, Géneses Cpítulo1: dos Versículos 1-27
2. BORGES, Vavy Pacheco. O que é a história. São Paulo: Editora Brasiliense, 1993.
3. CORREIA, Pedro J. Alves. O Cristianismo e a Mensagem Evangélica, 2ª Ediç. Lisboa:
       Biblioteca Cosmos, 1944.
4. Enciclopédia Microsoft® Encarta®. © 1993-2001
5. FAGE, J.D. História de África. Lisboa: Edições 70, 1995.
6. GOMES, Raul Rodrigues. Introdução ao Pensamento Histórico. Lisboa:Horizonte,1988.  
7. GOMES, Raul Rodrigues. Introdução ao pensamento histórico. Lisboa: Horizonte, 1988.
 8 M˙ BOW, M, Amadou Mahtar. Prefacio. In Historia geral de África vol VII. África sobre dominação colonial 1880-1935. São Paulo: Ática, 1991.
9. MUSSA, Carlos. História e Historiografia: Breve Introdução ao Estudo da História. (Sebenta de História), Maputo: s/ed,2006.
 10. COOLINGWOOD, R. G.  A Ideia de História Lisboa: Presença, 1981.

11. http://WWW.Franciscotrindade.com/outros  acesso em 14/9/07

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